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“ESTE GRUPO MERECE. ESTE CLUBE MERECE. VAMOS PREPARAR-NOS PARA TORNAR O SONHO REALIDADE” NELSON ANTUNES

Nelson Antunes, treinador dos sub-23 do Santa Clara, fez a antevisão à primeira mão da final da Taça Revelação, agendada para dia 26 de maio, às 18h.

 

BALANÇO DA TEMPORADA ATÉ AO MOMENTO, QUE CULMINOU COM O APURAMENTO PARA A FINAL DA TAÇA REVELAÇÃO?

“Boa tarde a todos. Em jeito de balanço, pegando ainda na sua palavra de “inédito”, para nós, desde julho, fomos construindo um grupo. Alimentávamos muito o sonho de fazer algo especial, porque foram concentrados aqui jogadores com muito talento e, com o passar do tempo, fomos tendo indicadores de que era possível ter um impacto muito positivo nesta época 25/26.

A própria administração também promove muito que o Santa Clara, ano após ano, consiga ganhar o seu espaço no panorama nacional, e estes últimos anos acabam por refletir um bocadinho isso. Tem havido aqui uma cultura ganhadora, uma cultura vencedora, que acaba por ser transversal também aos escalões mais abaixo.

Os Sub-23, este ano, acabam por fazer, na minha opinião, um ano muito positivo, conseguindo, na primeira fase da Liga Revelação, um segundo posto com todo o mérito, com bastante consistência, sendo a melhor defesa da prova nas duas séries, tendo o melhor marcador da série, um processo que demonstra que não foi acaso.

Depois, na fase de apuramento de campeão, devido a algumas circunstâncias, e não estou aqui à procura de respostas, porque no futebol não há respostas claras e concretas, houve muitos fatores. Posso pegar também no facto de ter havido uma transição no futebol profissional, que mexeu um pouco com o grupo Sub-23, porque também mudámos alguns processos internos.

Tivemos igualmente a felicidade de conseguir catapultar alguns jogadores que estavam a afirmar-se na Liga Revelação, que eram pilares do nosso grupo, para o futebol profissional, porque é disso também que é feito o Sub-23. A Liga Revelação acaba por ser uma plataforma, um trampolim de promoção.

Não tivemos uma fase de apuramento de campeão tão bem conseguida, até porque o nível competitivo é outro. Estavam as melhores equipas da Liga Revelação. Ainda assim, deixámos uma imagem muito boa, apesar dos resultados não serem muitas vezes aquilo que pretendíamos.

Os resultados acabavam por decidir-se no detalhe. Eram jogos bastante equilibrados, podiam pender para um lado ou para o outro. Mas quem acompanha de perto a Liga Revelação sabe que é isto: é uma competição jovem, com muito talento, muita ambição, muito sangue, muito querer. Falta, às vezes, um bocadinho de maturidade competitiva, e essa maturidade vem num contexto mais sénior.

Essa maturidade acaba por vir dos treinadores, mas muito também do balneário, da experiência, dos jogadores mais velhos, da capacidade de passar pelo processo. Ao longo do tempo, fomos conseguindo, com essa dificuldade da competição, ganhar a tal maturidade, ganhar a tal esperteza que resolve jogos no detalhe.

E prova disso é a entrada nesta nova prova, a Taça Revelação, onde o grupo demonstra que isto não é obra do acaso. Foi algo construído através de um processo, com cultura clubística, com uma identidade humilde, mas com muita sede de ganhar.”

 

 

NO CAMINHO ATÉ ESTA FINAL, ELIMINARAM O CAMPEÃO DA LIGA REVELAÇÃO, COMO FOI ESSE CAMINHO?

“Nós sonhámos muito desde o início, como disse há pouco. Sonhámos muito porque olhamos para o lado e vemos jogadores com muita qualidade. Eles olham também para a equipa técnica, para o staff, e veem pessoas muito competentes.

Há pouco falei da administração, mas a administração passa uma energia que nos permite trabalhar e estar confiantes, dia a dia, jogo a jogo.

E nós vamos sonhar.

Vou pegar aqui nas palavras de um jogador, o Italo, que no final do jogo me dá um abraço (está registado em vídeo, e vou guardar, porque o futebol é feito destes momentos) e diz-me: “Estão a deixar-nos sonhar, e vamos sonhar até ao fim.”

Este grupo merece. Este grupo tem trabalhado muito. Este clube merece. A administração merece.

Nós temos vindo a preparar-nos para fazer algo especial.

Conseguimos, como disse, ultrapassar o Académico de Viseu, atual vencedor da Liga Revelação. Conseguimos ultrapassar o Benfica, um adversário muito difícil, que mudou bastante a equipa nesta quarta-feira com a presença de vários jogadores da equipa B e que é o detentor da Taça.

O Benfica foi vencedor da edição passada. Conseguimos ultrapassar estes dois adversários, mas isso não nos diz que vai ser fácil, antes pelo contrário.

Vamos encontrar um adversário muito capaz, muito competente, que fez um percurso incrível nesta Taça. Tem vários jogos a vencer e continua a vencer; caso contrário, não teria chegado à final.

Espera-se um jogo a duas mãos difícil, mas este grupo está preparado. É uma final a duas mãos, tem de ser muito bem preparada, muito bem planeada.

Temos 90 minutos mais 90 minutos e, quem sabe, um prolongamento de 30 minutos e penáltis.

Temos de preparar muito bem esta semana e meia para tornar o sonho realidade.”

 

 

PARA SI COMO TREINADOR TAMBÉM ACABA POR SER UMA JANELA DE OPORTUNIDADE?

“A minha ambição, para ser sincero, é todos os dias conseguir ser a minha melhor versão e corresponder àquilo que esta administração pretende.

Quero conseguir retribuir o voto de confiança que me deram há 18 meses.

E não escondo aquilo que pensamos. Nós, profissionais desta área, sejam jogadores ou treinadores, vivemos muito do sucesso, vivemos muito das vitórias. É normal o telefone tocar mais vezes, surgir uma outra mensagem.

Este momento, estar aqui a fazer uma conferência antes de um jogo… nós queremos viver isto, e eu não escondo isso.

É bom estarmos neste momento de sucesso, com a possibilidade de ganhar algo.

Mas, para ser sincero, não penso nisso. Penso em amanhã estar bem, conseguir recuperar todos estes atletas, que têm sido incríveis, e no que tem feito toda a diferença para o grupo: prepará-los para tornar o sonho realidade.”

 

 

PROJETO DO SANTA CLARA:

“É um projeto muito sólido. Tem uma base muito forte, que é esta administração, com um plano bem definido. Nós, profissionais, seguimos esse plano; há linhas orientadoras.

Como disse bem, é um projeto com quatro anos e, no final de cada temporada, felizmente, tem conseguido promover jogadores.

Temos o caso do Daniel Borges, temos o caso do Jota, que são afirmações.

Este ano, mais do que vencer ou ter sucesso numa prova, eu acho que o maior feito será sempre a promoção de atletas, porque é para isso que este contexto existe.

Como disse há pouco, isto é um catapultar de desenvolvimento, um catapultar de ideias, um contexto para atingir objetivos neste grupo Sub-23.

Felizmente, conseguimos ter aqui as coisas mais ou menos alinhadas: formar e ganhar.

E eu dizia há pouco que, mais do que ser vencedor ou ganhar uma prova, é promover atletas. Este ano, acho que foi feito algo inédito: conseguir promover sete jogadores à equipa principal, nas provas nacionais, fosse na Taça de Portugal, fosse em jogos da Liga.

Tivemos sete jogadores a jogar, e quem esteve atento viu que eles conseguiram nadar nessas águas.

São jogadores preparados para o futuro. Jogadores com a cultura do Santa Clara, uma cultura vencedora, com a identidade do clube, com a humildade necessária para chegar a estes contextos muito profissionais.

São eles que vão servir de suporte para que, depois, através do talento deles, consiga.”

 

Assista na íntegra à conferência: