• Guarda-redes: A antítese do golo

Guarda-redes: A antítese do golo
Guarda-redes: A antítese do golo
26 Setembro 2018

Guarda-redes: A antítese do golo

Heroí e anti-heroí, genial e ridículo, mágico e azarado, corajoso e amedrontado. Bem-vindos ao maravilhoso mundo do guarda-redes, bem vindos à mais bela dicotomia do futebol.

Mais um treino, mais noventa minutos de suor, alguma dor mas vontade de brilhar. Vontade de negar a génese da criação do jogo- o golo. É assim que, de uma forma mais simplista, podemos definir o papel do guarda-redes- aquele que nega o golo, aquele que evita que a bola beije as redes. Eis o guarda-redes.

 

Para José Serrão, homem ligado desde muito cedo às redes do futebol, é muito mais que isso. O guarda-redes, segundo Serrão, é mais do que aquele que evita o golo. O passado recente já nos diz isso e é essa a versão que o treinador de guarda-redes do Santa Clara corrobora. O jogo de pés, a leitura de jogo, os reflexos, o jogo aéreo e o posicionamento são os quesitos fundamentais para se ter sucesso nesta posição. Mais do que isso, diz-nos que importa o equilíbrio entre a loucura e o discernimento.

 

Marco, o homem que se mantém sereno em todos os momentos do jogo, Serginho, um dos capitães e um dos elementos mais experientes do plantel, João Lopes, um jovem de grande nível e que terá muito espaço para evoluir e Rodolfo, que apesar de não fazer parte do plantel, é um dos elementos que mais trabalha no grupo. É assim que podemos ver cada um dos guardiões do CD Santa Clara. José Serrão, um dos líderes destes quatro homens aponta para a dificuldade da posição: pela concentração, pelo foco necessário, pelo sangue-frio necessário para parar os mais temíveis avançados.

 

“Muitas vezes não se dá a devida importância ao desempenho do guarda-redes”- atira Serrão, puxando um bocado a brasa à sua sardinha. E de facto, assim o é. O guarda-redes passa longe dos holofotes, longe das luzes da ribalta do jogo, incapaz de fazer uma assistência para um avançado ou uma grande finta que faça levantar o estádio. Uma espécie de vilão, o inimigo do golo, o virtuoso das balizas- uma dicotomia entre o bem e o mal, o golo e a defesa. Uma dicotomia que perdurará até à eternidade do jogo.

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