Regresso ao Passado – ‘Mágico Figas’

Entrou como Figueiredo, saiu como ‘Mágico Figas’. Eis Paulo Figueiredo, médio angolano que passou pelo CD Santa Clara entre 1996 e 2004, o eterno ’10’, porventura um dos jogadores mais proeminentes do passado recente do clube. A qualidade de passe, a bola quase que magneticamente colada ao pé, a qualidade nas bolas paradas e o encarnar do espírito tão caraterístico dos ‘Bravos Açorianos’ deixam saudades a todos aqueles que o viram espalhar magia nos relvados.

 

A Infância

 

‘Tive uma infância feliz. Estudava e brincava ao futebol. A paixão pelo futebol surgiu muito cedo. Desde muito novo comecei a acompanhar o meu irmão mais velho no Desportivo Domingos Sávio, um clube de bairro de Lisboa, e acabei por começar a jogar ali com apenas seis anos. Apesar de não haver muitas equipas para aquela faixa etária’.

“Sempre defendi as cores do CD Santa Clara e dos Açores com muita vontade, muito crer.”

A família enquanto suporte

 

‘A minha família foi o meu grande suporte. A minha esposa (Vanda), a Joana, o Bruno e a Elisa que até nasceu nos Açores. Eles foram sempre o meu grande equilíbrio, deram-me estabilidade necessária para poder dar tudo pelo clube. Fizeram muitos sacrifícios por mim. Foram sempre eles que me deram a força necessária para chegar lá cima’.

 

A vinda para os Açores

 

‘Chego ao CD Santa Clara depois de ter estado emprestado pelo Belenenses ao Camacha. Era muitas vezes emprestado pelo Belenenses, era visto como uma espécie de moeda de troca. Lembro-me que fui chamado ao Belenenses depois do empréstimo ao Camacha estar concluído e informaram-me que ia ser dispensado pelo novo treinador. Quando saí dessa reunião com o Belenenses, estava o treinador do CD Santa Clara à minha espera, o Filipe Moreira, na altura, que me fez o convite para vir para os Açores. Foi a pessoa que mais força fez para ingressar no clube, tinha outras propostas mas a atitude dele fez-me querer assinar pelo CD Santa Clara e em boa hora.

 

Momentos Marcantes

 

‘As subidas de divisão foram muito marcantes. Depois da primeira subida de divisão, São Miguel e os Açorianos estavam todos na rua para nos saudar. Era mesmo um mar de gente. No ano seguinte, voltamos a subir de divisão quando nada o fazia prever. E, depois, a última subida, quando ganhamos o campeonato (II Liga) foi igualmente marcante. Foram momentos inéditos e inesquecíveis na história do clube e é difícil explicar aquilo que se viveu na altura’.

 

Pessoas Importantes

‘Há muitas pessoas importantes neste meu trajecto pelo CD Santa Clara. Desde o Sr. Almeida da direção, o Sr. Garcia, o Pedro Castanheira… os treinadores, jogadores, médicos e jogadores… e depois há duas pessoas que nunca esquecerei na vida, o Sr. Humberto Caetano e a sua esposa. Foram muito importantes para mim’.

“Depois da primeira subida de divisão, São Miguel e os Açorianos estavam todos na rua para nos saudar.”

A relação com os adeptos

 

‘Sempre defendi as cores do CD Santa Clara e dos Açores com muita vontade, muito crer. As pessoas naturalmente que reconhecem essa minha atitude e retribuem-me com imenso carinho. Tenho muito apreço, tanto pela instituição, como pelos Açores. Nunca me esquecerei dos momentos que aí passei’.

 

Mudança no CD Santa Clara

 

‘O CD Santa Clara passou por tempos muito complicados. Esta direção veio trazer organização e a estabilidade necessária para o clube. Isso refletiu-se nos próprios resultados da equipa. As prestações devem-se também a essa estabilidade que a direção conseguiu. Este CD Santa Clara tem dignificado tanto a região como a história do clube. É uma equipa muito equilibrada, que pode conquistar pontos em todos os campos e está muito bem comandada por João Henriques, a equipa está bem e recomenda-se.’

 

Uma Odisseia… com final feliz

 

‘Quando fomos jogar para a Taça Intertoto, na Arménia, fomos transportados desde Paris por um avião muito pequeno. Acontece que grande parte das bagagens ficaram atrás… em Paris. Tivemos de jogar com equipamentos emprestados pela equipa adversária (FC Shirak). A verdade é que no final do jogo, o facto de não termos os nossos equipamentos não acabou por ter muita influência no desfecho. Empatamos (3-3), o que era um excelente resultado na altura.’